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ÁGUA DE VG: APÓS OITO ANOS, GOVERNO ANUNCIA R$ 60 MILHÕES PARA UM PROBLEMA QUE PODE EXIGIR ATÉ R$ 2,8 BILHÕES

26,9 milhões destinados em 7 anos; mesmo Pivetta anunciando “Aliança pela Água”, estudos mostram que o desafio é muito maior Depois de mais de sete

26,9 milhões destinados em 7 anos; mesmo Pivetta anunciando “Aliança pela Água”, estudos mostram que o desafio é muito maior

Depois de mais de sete anos do governo Mauro Mendes, Várzea Grande chegou a 2026 ainda enfrentando um dos problemas mais básicos para a população: a falta de água. Durante a gestão Mauro, o Estado destinou R$ 26,9 milhões, com contrapartida municipal, para a construção da ETA Barra do Pari, entregue em fevereiro de 2024. A obra ampliou a capacidade de tratamento, mas não resolveu o problema estrutural do abastecimento. O diagnóstico da Fipe aponta perdas de até 60% na distribuição.

Mauro deixou o Governo em 31 de março e, cerca de quatro meses depois, já sob a gestão Otaviano Pivetta, o Estado lançou a Aliança pela Água, com previsão de até R$ 60 milhões para a reestruturação emergencial do DAE de Várzea Grande. O acordo prevê equipamentos, máquinas e melhorias operacionais ao longo de 12 meses. O próprio Governo reconheceu que se trata de um problema que se arrasta há décadas.

O problema é que os números mostram que os R$ 60 milhões estão muito longe de representar uma solução definitiva. Estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), apresentado na atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico, estima que Várzea Grande precisará de R$ 1,8 bilhão a R$ 2,8 bilhões para enfrentar os problemas estruturais de água e esgoto. Somente para regularizar o abastecimento de água, a estimativa varia entre R$ 800 milhões e R$ 1,3 bilhão.

E a situação do saneamento torna o desafio ainda maior. O diagnóstico aponta perdas de até 60% na distribuição de água e necessidade de intervenções em sistemas de captação e estações de tratamento. No esgotamento sanitário, os estudos também apontam um enorme déficit de investimentos. Ou seja, não se trata apenas de comprar equipamentos ou recuperar emergencialmente o sistema: Várzea Grande precisa de uma intervenção estrutural de longo prazo.

A pergunta que fica é: por que, depois de tantos anos, a solução para um problema tão básico ainda precisa ser anunciada às vésperas de uma eleição? Os R$ 60 milhões anunciados por Pivetta podem representar uma ação emergencial, mas os próprios estudos mostram que o problema exige bilhões em investimentos. Várzea Grande não pode continuar recebendo promessas de curto prazo para um problema que exige planejamento, recursos e solução definitiva.