Alvo da Polícia Civil, influenciadora realizou festa de meio
Natiele Aparecida, investigada na Operação Engodo Digital por jogos de azar e lavagem de dinheiro, já ostentou evento luxuoso em Sorriso.
Natiele Aparecida, investigada na Operação Engodo Digital por jogos de azar e lavagem de dinheiro, já ostentou evento luxuoso em Sorriso.
A influenciadora digital Natiele Aparecida, um dos principais alvos da Operação Engodo Digital , deflagrada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop nesta terça-feira (18), já foi protagonista de um evento de alto luxo que movimentou a cena social de Mato Grosso. Em 2024, para celebrar sua aparição como capa da Revista Sexy, a criadora de conteúdo organizou uma festa avaliada em mais de meio milhão de reais no Castelo Don Joseph, localizado em Sorriso, a 480 km de Cuiabá.
Na ocasião, o evento foi amplamente divulgado como uma demonstração de sua influência e capacidade de gestão de grandes produções. A festa, custeada integralmente pela própria influenciadora, contou com uma decoração ostensiva, incluindo cerca de 12 mil rosas, elementos que, segundo relatos da época, visavam reforçar o requinte e a sofisticação da anfitriã. O encontro reuniu diversas personalidades públicas e consolidou a imagem de Natiele como um nome de destaque na região.
No entanto, o cenário mudou drasticamente com a ação policial desta semana. A Operação Engodo Digital visa desmantelar uma organização criminosa suspeita de operar um esquema robusto de exploração de jogos de azar, captação ilegal de apostas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, com base operacional em Sorriso. Natiele, que acumula mais de 113 mil seguidores no Instagram, utilizava seu perfil para promover plataformas de apostas, incluindo o popularmente conhecido "Jogo do Tigrinho".
Segundo as investigações da Polícia Civil, a influenciadora ocupava o papel central na estrutura do grupo. Ela utilizava duas contas nas redes sociais para disseminar links de plataformas não autorizadas e mantinha, em parceria com outra investigada, um grupo de mensagens dedicado a orientar seguidores sobre apostas de cotas fixas ilegais. Registros apontam que, inclusive poucas horas antes da deflagração da operação, ela ainda realizava a divulgação de jogos de azar em seus stories.
O volume financeiro sob suspeita é expressivo. A Draco identificou uma movimentação superior a R$ 28 milhões entre 2023 e 2025, valores que não foram declarados e que, conforme a polícia, possuem fortes indícios de origem ilícita proveniente das apostas online. O dinheiro circulava por contas de empresas ligadas a plataformas de pagamento, como a Cash Pay Meios de Pagamento Ltda., All Bet Entretenimento Ltda., Bytech Ltda. e HKP Pay Pagamentos, sendo posteriormente redistribuído entre familiares e colaboradores da investigada.
Para ocultar a origem dos recursos, a apuração aponta que o grupo criou diversas empresas e utilizou simulações societárias, inclusive em estabelecimentos do ramo de beleza. A investigação também revelou uma conexão interestadual relevante: dois dos alvos da operação residem em São Paulo e possuem vínculos com a Operação Narco Fluxo , deflagrada pela Polícia Federal em abril deste ano, que resultou na prisão de figuras conhecidas como MC Ryan SP, Poze do Rodo, o influenciador Chrys Dias e o responsável pela página Choquei.
Conforme os dados da Polícia Federal, a Operação Narco Fluxo revelou que uma fintech funcionava como o núcleo financeiro de plataformas clandestinas, facilitando a remessa de valores para o exterior. Essa mesma empresa e seu proprietário foram alvos de medidas cautelares, incluindo busca e apreensão, sequestro de bens e a retenção do passaporte, determinadas no âmbito da Operação Engodo Digital, conduzida pela Draco de Sinop.
Fonte: rdnews.com.br