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António Guterres insta líderes globais a encerrarem conflito

Em Bishkek, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu o fim das hostilidades globais durante a cimeira da Organização de Cooperação de Xangai.

Em Bishkek, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu o fim das hostilidades globais durante a cimeira da Organização de Cooperação de Xangai.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou um apelo urgente aos chefes de Estado reunidos em Bishkek, instando-os a encerrar o que classificou como uma “loucura” e a colocar um ponto final nos conflitos armados que assolam o planeta. Em entrevista exclusiva realizada na capital do Quirguistão, durante a cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) nesta terça-feira, o diplomata destacou que o evento representa uma oportunidade singular para dialogar diretamente com os tomadores de decisão.

“A mensagem central é que chegou o momento de parar com essa insanidade. É hora de buscar a paz, e alguns dos atores fundamentais desses processos estão presentes aqui”, declarou Guterres. O secretário-geral manifestou profunda preocupação com a persistência de crises que parecem não ter um desfecho à vista, citando especificamente a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, bem como a instabilidade no Oriente Médio, que abrange desde a situação em Gaza até as tensões entre o Irã e os Estados Unidos.

Sobre o cenário iraniano, Guterres lamentou a retomada das hostilidades e exortou ambos os lados a retornarem à mesa de negociações, um caminho que, segundo ele, esteve próximo de um resultado positivo recentemente. “Infelizmente, os ataques foram reiniciados. Por isso, defendo a necessidade de um exercício máximo de contenção”, afirmou. O líder da ONU enfatizou a urgência de retomar os diálogos que demonstravam progresso, visando restaurar a estabilidade regional e garantir a plena liberdade de navegação, tanto no Estreito de Ormuz quanto em Bab el-Mandeb.

Participando da cimeira da SCO como convidado, Guterres sublinhou que a colaboração com blocos regionais tornou-se um pilar fundamental para a eficácia das Nações Unidas. “Estamos inseridos em um mundo cada vez mais multipolar. Para uma entidade como a ONU, é de extrema relevância manter um engajamento estreito com organizações regionais, seja a União Europeia, a União Africana ou a própria Organização de Cooperação de Xangai”, explicou.

O evento em Bishkek marca o 25.º aniversário do bloco, que atualmente é composto por dez nações: China, Rússia, Índia, Paquistão, Irã, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão. Juntos, esses países representam mais de 40% da população global. Além dos membros efetivos, o encontro conta com a presença de 15 estados parceiros de diálogo, incluindo a Turquia.

A cimeira reúne figuras de peso no cenário geopolítico, como o presidente chinês, Xi Jinping, o líder russo, Vladimir Putin, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan. Para Guterres, a relevância do encontro é inegável: “Temos aqui uma plataforma que representa praticamente metade da humanidade, sendo que as economias mais dinâmicas do mundo estão situadas na Ásia hoje”.

Ao encerrar suas considerações, o secretário-geral reforçou a importância de sua presença no evento. “Para mim, na qualidade de secretário-geral, é vital manter um canal de diálogo aberto com a Organização de Cooperação de Xangai e fomentar a cooperação em temas de interesse comum”, concluiu. A cimeira, que teve duração de um dia, encerra suas atividades nesta terça-feira em Bishkek.

Fonte: pt.euronews.com