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Eclipse lunar parcial da 'Lua do Esturjão' ilumina o céu da

O eclipse lunar parcial ocorrido entre a noite de quinta e a manhã de sexta-feira marcou o fim do verão de 2026, oferecendo um espetáculo astronômico na Itália.

A chamada Lua Cheia do Esturjão marcou o encerramento do verão de 2026 com um eclipse lunar parcial, que pôde ser acompanhado entre a noite de quinta-feira, 27 de agosto, e a manhã da sexta-feira, 28. Após o eclipse solar registrado no dia 12 de agosto, um novo evento astronômico atraiu a atenção de entusiastas em toda a península italiana durante as primeiras horas do dia.

Especialistas do Instituto Nacional de Astrofísica (Inaf) esclarecem que essa proximidade entre os dois fenômenos não é uma coincidência. A mecânica celeste determina que, quando as condições geométricas dos nós orbitais permitem um eclipse solar durante a fase de Lua nova, a configuração tende a se repetir de maneira complementar duas semanas depois, coincidindo com o plenilúnio.

O evento foi classificado como um eclipse parcial de grande profundidade, alcançando a cobertura de aproximadamente 96% da superfície visível do disco lunar pelo cone de sombra terrestre. Para os observadores na Itália, o ápice do fenômeno ocorreu às 6h12 da manhã, com a Lua posicionada no horizonte oeste-sudoeste. Nesse momento, quase a totalidade do satélite foi envolvida pela sombra, adquirindo tons avermelhados e acobreados devido à filtragem da luz solar pela atmosfera da Terra.

Como o auge do eclipse aconteceu já no início da manhã, a fase final do evento não pôde ser observada. A nomenclatura 'Lua do Esturjão' remete às tradições de povos nativos americanos da região dos Grandes Lagos, que associavam o período de agosto ao aumento da presença de esturjões nos cursos d'água, tornando a época propícia para a pesca. Outras denominações, como Lua do Milho Verde, Lua do Trigo e Lua dos Mirtilos, também são utilizadas para marcar o fim do ciclo agrícola de verão.

O Inaf ressalta que, há dois milênios, civilizações como a chinesa, egípcia, maia, grega e romana já compreendiam as causas dos eclipses e possuíam métodos para calcular ocorrências futuras. Contudo, entre as populações em geral, o fenômeno era frequentemente cercado por mitos, sendo interpretado como um momento de crise ou morte dos astros.

Na Mesopotâmia, eclipses eram vistos como presságios negativos para os governantes, o que levou à criação do ritual do 'rei substituto', uma estratégia para proteger o monarca real. Já na mitologia nórdica, acreditava-se que o Sol e a Lua eram perseguidos e devorados por lobos, enquanto na China a crença popular atribuía o fenômeno a um dragão celeste.

Na Grécia antiga, a interpretação era distinta: acreditava-se que a Lua descia à Terra para encontrar seu amado Endimião ou que era forçada a sair de sua carruagem por feiticeiras da Tessália. Em diversas culturas, a tradição ditava que o uso de instrumentos ruidosos, como tambores e cornos, era necessário para afastar as entidades que ameaçavam os astros.

Tecnicamente, um eclipse lunar ocorre quando o Sol, a Terra e a Lua se alinham. A Terra, ao se posicionar entre o Sol e o satélite, projeta um cone de sombra. Esse alinhamento não ocorre em todas as luas cheias devido à inclinação da órbita lunar em relação à da Terra. A coloração avermelhada observada durante o eclipse é resultado da dispersão da luz solar pela atmosfera terrestre, que filtra os tons azuis e permite a passagem das frequências vermelhas e alaranjadas, um processo similar ao que ocorre durante o pôr do sol.

Fonte: pt.euronews.com