Empresários do turismo articulam resistência contra ponte no
Lideranças do setor turístico em Mato Grosso se unem contra a construção de uma ponte sobre o rio Cuiabá, defendendo prioridades de infraestrutura e preservação
Lideranças do setor turístico em Mato Grosso se unem contra a construção de uma ponte sobre o rio Cuiabá, defendendo prioridades de infraestrutura e preservação ambiental.
Representantes do setor de turismo que operam no Pantanal mato-grossense manifestaram forte oposição ao projeto de construção de uma ponte de concreto sobre o rio Cuiabá, localizada em Porto Jofre, no ponto final da Transpantaneira. A estrutura, planejada para conectar as malhas rodoviárias dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, foi o tema central de uma reunião virtual realizada na última sexta-feira (14), que contou com a participação do presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, conhecido como Tião da Zaeli.
Para os empresários, a execução dessa obra não deve ser priorizada sem um debate aprofundado sobre as reais necessidades de infraestrutura da região e os possíveis impactos negativos, tanto para a atividade turística quanto para o delicado ecossistema pantaneiro. O descontentamento do setor ganhou corpo após a formalização, em fevereiro deste ano, de um protocolo de intenções entre a Secretaria de Estado de Infraestrutura de Mato Grosso (Sinfra-MT) e sua homóloga em Mato Grosso do Sul (Seilog-MS), visando a integração interestadual.
Durante o encontro, Tião da Zaeli comprometeu-se a buscar alternativas em conjunto com lideranças do trade turístico e parlamentares que atuam na defesa da preservação do Pantanal. O presidente da Fecomércio sinalizou que pretende agendar uma reunião com o secretário estadual de Infraestrutura para levar as preocupações da classe. “Reconhecemos o valor e o potencial do Pantanal. Vamos dialogar com os políticos para que o turismo na região seja tratado como prioridade”, declarou.
Jaime Okamura, presidente do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur/Fecomércio), sugeriu que o próprio setor elabore um projeto detalhado contendo as demandas prioritárias e propostas de desenvolvimento turístico. Segundo ele, as Instâncias de Governança Regional (IGRs) desempenharão um papel fundamental na articulação entre os municípios e na consolidação dessas propostas. “Esta reunião foi esclarecedora e servirá de base para as próximas etapas de encaminhamento”, pontuou Okamura.
Por outro lado, José Marcos, representante da IGR-Pantanal, foi enfático ao questionar a viabilidade da ponte. Na visão dele, o projeto carece de clareza quanto aos benefícios para o turismo mato-grossense, atendendo, em sua avaliação, primordialmente aos interesses do estado vizinho. “Estamos preparando um documento formalizando nossa posição contrária. Nosso foco é a integração dos municípios dentro de Mato Grosso, fortalecendo a economia local”, afirmou, defendendo que a estratégia deve ser ampliar os roteiros estaduais para distribuir a renda do turismo de forma mais equitativa.
O empresário André Turony, com mais de três décadas de atuação no Pantanal, sugeriu que os recursos previstos para a ponte, estimados em R$ 60 milhões, sejam parcialmente redirecionados para demandas mais urgentes. Ele propôs que R$ 30 milhões fossem aplicados em prioridades como a eletrificação da região e a melhoria das estradas internas. “Não fomos consultados sobre essa ponte. Precisamos de energia elétrica e de conexões rodoviárias entre as diferentes áreas do Pantanal”, ressaltou, destacando o impacto positivo do turismo na geração de emprego e renda, inclusive para produtores rurais que diversificam suas atividades.
Ailton Lara, proprietário de pousada na região, reforçou a necessidade de melhorias na infraestrutura aeroportuária e na navegação, alertando para os riscos ambientais da obra. “A circulação de veículos pesados sem um estudo de impacto ambiental adequado causará atropelamentos e mortes de animais”, advertiu. Lara também expressou preocupação com o regime hídrico, sublinhando que o equilíbrio das águas é vital para evitar secas severas e incêndios, que afetam diretamente a fauna, como as onças-pintadas.
Ao final da reunião, as lideranças definiram uma pauta de ações que inclui a integração entre municípios com potencial turístico e o fortalecimento da malha viária regional. Entre as sugestões, destacam-se a construção de estradas ligando Poconé a Barão de Melgaço e a Cáceres, via Porto Conceição, além da conexão entre Joselândia e Águas Quentes. O objetivo central do grupo é promover o desenvolvimento econômico dos municípios pantaneiros mantendo a integridade das características naturais da região.
Fonte: rdnews.com.br