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Entregas de bicicleta em Gaza: guerra impõe desafios aos

entregas de bicicleta: A guerra em Gaza forçou estafetas a usar bicicletas para entregas. Confira os desafios, riscos e o impacto econômico dessa mudança na.

A escassez severa de combustível, a paralisação dos transportes motorizados e a precariedade das vias na Faixa de Gaza forçaram muitos trabalhadores a adotar as entregas de bicicleta como alternativa de sobrevivência. Embora o meio de transporte ajude a manter a logística local, as viagens tornaram-se consideravelmente mais exaustivas e lentas. Além disso, o custo de uma manutenção simples pode comprometer quase todo o rendimento diário de um estafeta.

Mohamed Abu Amra, que atua pela empresa “Barq” na região de Maghazi, exemplifica essa mudança drástica. O que antes era percorrido em menos de dez minutos de motocicleta, hoje exige mais de meia hora de pedaladas. O profissional descreve a nova rotina como um acúmulo de “cansaço físico, manutenção constante e desgaste nas estradas”.

Desafios das entregas de bicicleta em Gaza

O cenário atual é marcado por uma infraestrutura devastada. Segundo um levantamento conjunto do Banco Mundial, da União Europeia e da ONU, cerca de 74% da rede viária de Gaza foi classificada como destruída até abril de 2026. Esse contexto torna o trabalho diário um desafio logístico e financeiro, conforme detalhado em nossas últimas notícias .

Os principais obstáculos enfrentados pelos trabalhadores incluem:

Dificuldade extrema em encontrar peças de reposição para as bicicletas. Custos de reparo que, por vezes, superam o ganho de um dia inteiro de trabalho. Riscos de segurança ao transitar por áreas sujeitas a bombardeamentos. Necessidade de realizar remendos improvisados com peças de veículos inutilizados. Tarek Abu Zikri, proprietário da Barq, relata que a demanda por trabalho é alta, apesar dos riscos. Em apenas 36 horas, um anúncio de vaga atraiu 109 candidatos, incluindo profissionais qualificados em busca de renda. A empresa, que opera com mais de 50 funcionários, tenta contornar a crise, mas a escassez de recursos limita a eficiência.

A tentativa de introduzir bicicletas elétricas também encontrou barreiras econômicas. O custo do carregamento das baterias pode atingir 30 shekels, valor que representa quase metade do ganho diário de um estafeta. Portanto, a transição tecnológica não se mostrou uma solução viável para a maioria dos trabalhadores que dependem da renda imediata.

O perigo é uma constante na rotina desses profissionais. Em agosto de 2026, o estafeta Raed Adel Mohamed Alyan perdeu a vida após um ataque atingir sua bicicleta elétrica no bairro de Tel Al-Hawa. Relatos da empresa “Hamama” indicam que dezenas de trabalhadores do setor foram mortos desde o início do conflito, evidenciando a vulnerabilidade de quem circula pelas ruas.

Apesar do cenário desolador, o serviço de entregas permanece como uma fonte essencial de subsistência. Abu Zikri enfatiza que a continuidade da operação depende de condições básicas, como a liberação de entrada de peças de reposição na região. Para muitos, a bicicleta deixou de ser um substituto temporário e tornou-se o único meio possível para garantir o sustento familiar em meio à crise.

Fonte: pt.euronews.com