História viva das minas de Sérifos: projeto resgata memória
Conheça o projeto que documenta a história viva das minas de Sérifos, na Grécia, preservando memórias e o legado industrial. Confira agora os detalhes.
A história viva das minas de Sérifos , uma das ilhas mais emblemáticas do arquipélago das Cíclades, na Grécia, acaba de ser resgatada por um projeto de documentação inédito. Embora a região seja hoje um polo turístico, seu subsolo guarda as cicatrizes de uma intensa atividade extrativista que perdurou até meados do século XX.
A exploração de hematite e magnetite, iniciada em 1870 e intensificada a partir de 1885, moldou a identidade local. Com produções que atingiam 200 mil toneladas anuais, a ilha atraiu trabalhadores de diversas partes do país. Contudo, o encerramento definitivo das minas em 1963 provocou um êxodo populacional e deixou para trás uma paisagem marcada por galerias, vagões e carris enferrujados.
Preservando a história viva das minas de Sérifos
Para evitar que esse legado fosse esquecido, a Associação de Amigos de Sérifos lançou o programa “A história viva das minas de Sérifos”. Com o suporte da iniciativa Cycladic Identity , do Museu de Arte Cicládica, a pesquisa compilou relatos e documentos raros ao longo de um ano. O projeto visa garantir que a memória oral dos mineiros não desapareça com o passar das gerações.
O acervo digital e o livro publicados reúnem materiais fundamentais para a compreensão do passado industrial da ilha:
Mais de 250 fotografias históricas e documentos de época. Dez depoimentos em primeira pessoa de mineiros e seus descendentes. Painéis com códigos QR instalados nos locais das minas para acesso a relatos. Katerina Papathoma, vice-presidente da associação, destaca que o objetivo é duplo: preservar o registro histórico e educar os jovens locais. Segundo ela, é vital que as novas gerações compreendam a importância desses sítios para que possam protegê-los no futuro. Além disso, a iniciativa busca esclarecer fatos que, curiosamente, ainda eram desconhecidos por muitos moradores atuais.
O local possui um peso histórico significativo, especialmente em Mega Livadi. Foi ali que, em 1916, ocorreu uma greve sangrenta de mineiros que lutavam por melhores condições de trabalho e a jornada de oito horas contra a gestão alemã da época. O município agora planeja transformar essa área em um museu a céu aberto, contando com parcerias de instituições como a Universidade do Egeu e a Europa Nostra.
Konstantinos Revínthis, presidente do Município de Sérifos, reforça que a intenção é recuperar os vestígios físicos para criar um polo de atração cultural. O projeto conta com o apoio do Ministério da Cultura e busca transformar o abandono em um espaço de visitação pública. Dessa forma, o patrimônio industrial deixa de ser apenas uma lembrança para se tornar um ativo de desenvolvimento.
A iniciativa Cycladic Identity , que financiou o projeto, já apoiou 26 programas em 15 ilhas diferentes desde 2022. Theano Agaloglou, gestora do projeto, ressalta a importância de digitalizar o legado dos chamados “Metalliotas”. Para conferir mais detalhes sobre o patrimônio cultural, acesse a categoria de notícias gerais.
Fonte: pt.euronews.com