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Impacto invisível: novos pneus buscam reduzir poluição e aum

A ENSO desenvolveu pneus projetados para veículos elétricos, visando diminuir a emissão de microplásticos e otimizar a eficiência energética dos automóveis mode

A ENSO desenvolveu pneus projetados para veículos elétricos, visando diminuir a emissão de microplásticos e otimizar a eficiência energética dos automóveis modernos.

Embora os veículos elétricos sejam amplamente celebrados como a alternativa mais sustentável para o transporte rodoviário, um desafio ambiental crítico permanece negligenciado: o impacto dos pneus. Gunnlaugur Erlendsson, fundador e CEO da empresa tecnológica ENSO, alerta que, apesar de sua onipresença na economia global, os pneus representam um custo ecológico oculto que precisa ser enfrentado com urgência.

O ciclo de vida de um pneu, desde a extração de matérias-primas e a produção intensiva em energia até o desgaste constante durante a condução, gera consequências severas. Segundo Erlendsson, o atrito provocado por frenagens, acelerações e curvas transforma os pneus em uma das principais fontes de poluição atmosférica urbana e de microplásticos nos oceanos. Além disso, o descarte é problemático, com cerca de dois bilhões de pneus incinerados anualmente devido à baixa taxa de reciclagem efetiva.

A ENSO surgiu com a proposta de mitigar esses danos, adaptando a tecnologia dos pneus às necessidades específicas da transição para a mobilidade elétrica. O executivo explica que os veículos elétricos impõem desafios técnicos únicos: são significativamente mais pesados devido às baterias e possuem um torque elevado, o que acelera o desgaste da borracha em comparação aos veículos a combustão interna.

O comportamento dos motoristas também desempenha um papel relevante. A natureza ágil dos elétricos, frequentemente utilizados em ambientes urbanos com tráfego intenso, incentiva uma condução mais agressiva. Esse padrão de uso, aliado ao peso extra, resulta em uma degradação mais rápida dos componentes, agravando a emissão de partículas poluentes nas cidades.

Outro ponto fundamental destacado por Erlendsson é a eficiência energética. Enquanto carros a gasolina convertem cerca de 30% da energia em movimento, os elétricos atingem aproximadamente 90%. Essa alta eficiência torna o veículo extremamente sensível à qualidade dos pneus. A escolha de um equipamento inadequado pode comprometer drasticamente a autonomia e elevar o consumo de eletricidade.

Para solucionar essas questões, a ENSO reformulou a composição química e a estrutura de seus pneus, utilizando dados coletados de frotas para aprimorar o produto. As novas misturas de polímeros foram desenhadas para suportar o peso e o torque dos elétricos, reduzindo a emissão de partículas em até 35% em relação aos modelos convencionais, além de proporcionar um ganho de até 10% na eficiência energética e autonomia.

A estratégia de crescimento da empresa foca em parcerias com grandes frotas de táxis e serviços de distribuição, em vez do mercado de varejo individual. Atualmente, a ENSO colabora com a Uber no Reino Unido, priorizando veículos de alta quilometragem, onde o impacto da economia de energia e a redução da poluição são mais expressivos.

O reconhecimento como finalista do Earthshot Prize em 2023 foi um marco para a empresa, ajudando a pautar um tema que, segundo Erlendsson, a indústria tradicional evitava discutir. Ele destaca o papel do príncipe William em dar visibilidade a esse problema, incentivando o uso de tecnologia para melhorar a qualidade do ar e proteger os ecossistemas marinhos.

Com planos de expansão, a ENSO pretende ampliar sua gama de tamanhos de pneus para atender a novos modelos de veículos e mira o mercado dos Estados Unidos como o próximo passo estratégico. O objetivo final, conforme ressalta o CEO, é atuar como um catalisador de mudanças, forçando o restante da indústria automotiva a adotar padrões mais sustentáveis e eficientes.

Fonte: pt.euronews.com