Justiça israelense declara inimputável colono que agrediu fr
Tribunal de Jerusalém absolveu colono israelense de responsabilidade penal por ataque a freira, ordenando internamento psiquiátrico após diagnóstico de esquizofrenia.
O Tribunal de Magistrados de Jerusalém decidiu pela absolvição penal de Yona Simha Schreiber, um colono israelense acusado de agredir violentamente uma freira católica francesa. O episódio ocorreu no final de abril de 2026, nas proximidades do túmulo do rei David, localizado na Cidade Velha de Jerusalém. A sentença foi fundamentada em um laudo psiquiátrico que diagnosticou o réu com esquizofrenia, concluindo que ele atravessava um surto psicótico no momento do crime, o que o impossibilitou de compreender ou controlar suas ações.
Embora tenha sido absolvido da responsabilidade criminal, o tribunal determinou o internamento compulsório de Schreiber em uma unidade psiquiátrica. A medida pode durar até seis anos, prazo equivalente à pena máxima prevista para o delito mais grave imputado ao agressor. Contudo, a permanência na instituição não é fixa, estando sujeita a revisões periódicas por uma comissão médica que poderá avaliar a viabilidade de uma eventual liberação antecipada, caso haja melhora no quadro clínico do paciente.
O juiz Ofer Tishler, responsável pelo caso, deixou claro que a decisão não nega a materialidade do ataque. O magistrado confirmou que as provas, incluindo registros de câmeras de segurança, atestam que Schreiber, de 36 anos e residente no assentamento de Beduel, na Cisjordânia, foi de fato o autor da agressão. O regime de inimputabilidade foi aplicado exclusivamente devido ao estado mental do réu à época dos fatos, e não por uma suposta ausência de culpa no evento em si.
O ataque, ocorrido em 28 de abril, foi registrado por câmeras de vigilância. As imagens mostram o momento em que o colono persegue a religiosa, de 48 anos, derrubando-a violentamente no chão e desferindo um pontapé enquanto ela estava caída. Um transeunte que tentou intervir para proteger a vítima também foi agredido. A freira, que vestia o hábito religioso, sofreu diversos ferimentos e hematomas. Investigações confirmaram que não houve qualquer interação prévia entre o agressor e a vítima.
O caso gerou forte repercussão internacional e local. O governo francês, por meio de seu ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, classificou o ato como ignóbil e manifestou preocupação com a crescente hostilidade contra cristãos na região. O Ministério das Relações Exteriores de Israel também condenou o episódio, descrevendo-o como vergonhoso e reafirmando o compromisso do país com a liberdade religiosa.
Líderes religiosos e acadêmicos, como o padre Olivier Poquillon, diretor da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa, lamentaram que o processo não tenha resultado em uma condenação criminal. Poquillon destacou que a vítima, uma pesquisadora, foi alvo de uma agressão sectária injustificada. Paralelamente, o advogado da freira, Zaki Sahliya, questionou a motivação do ataque, sugerindo que a escolha deliberada de uma vítima identificável por seu hábito religioso levanta sérias dúvidas sobre o caráter do crime.
O incidente ocorre em um contexto de tensão crescente envolvendo o tratamento de símbolos e membros da comunidade cristã na Terra Santa. Outros episódios, como a destruição de uma estátua de Jesus Cristo por um soldado israelense no sul do Líbano — ato que também gerou pedidos de desculpas oficiais de autoridades israelenses — têm alimentado o debate sobre a segurança de minorias religiosas na região.
Em resposta à pressão internacional e aos alertas de líderes religiosos sobre a retórica de ódio, as autoridades israelenses anunciaram novas medidas de proteção. O embaixador George Deek, responsável pelas relações com o mundo cristão, informou que a polícia designou um ponto de contato específico para membros do clero, visando agilizar a resposta a incidentes. A eficácia dessas promessas, contudo, segue sob escrutínio, especialmente após o desfecho judicial deste caso que tornou-se um símbolo das preocupações atuais sobre a intolerância em Jerusalém.
Fonte: pt.euronews.com