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Ministro André Mendonça afirma ter recebido Daniel Vorcaro a

O ministro do STF, André Mendonça, confirmou encontro com o empresário Daniel Vorcaro em 2025 para tratar de um processo sobre precatórios de interesse do Banco

O ministro do STF, André Mendonça, confirmou encontro com o empresário Daniel Vorcaro em 2025 para tratar de um processo sobre precatórios de interesse do Banco Master.

O ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), emitiu um comunicado oficial nesta quarta-feira (2) confirmando que manteve um encontro com Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, no início do ano passado. A reunião teve como pauta um processo envolvendo precatórios que tramitava na Corte.

De acordo com a nota divulgada pelo gabinete do magistrado, o atendimento ao empresário ocorreu em março de 2025, sendo esta a única ocasião em que se encontraram. O texto ressalta que a iniciativa do contato partiu do próprio Vorcaro e que, durante a audiência, o ministro limitou-se a ouvir as colocações apresentadas.

O comunicado detalha ainda que, no mesmo período, o ministro também recebeu o advogado que representava o empresário. O gabinete assegurou que todos os memoriais escritos entregues durante essas reuniões foram devidamente arquivados nos registros oficiais do tribunal.

O posicionamento de Mendonça surgiu após reportagens apontarem que o advogado Ciro Rocha Soares teria enviado mensagens a Vorcaro mencionando um diálogo com o ministro. É importante destacar que esse encontro aconteceu antes de Mendonça assumir a relatoria do caso envolvendo o Banco Master no STF, fato que se concretizou apenas em fevereiro de 2026.

Conforme as informações fornecidas pelo gabinete, o tema central da conversa foi a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, que estava sob análise da Corte. Naquela época, o processo discutia créditos de precatórios vinculados ao Banco Master, embora o julgamento estivesse paralisado por um pedido de vista.

O caso ganhou notoriedade após investigações da Polícia Federal apontarem suspeitas sobre a expedição de precatórios milionários pela Justiça antes da conclusão definitiva dos processos. A prática é considerada irregular, uma vez que a União ainda possuía o direito de recorrer e questionar os valores das dívidas em questão.

Em sua defesa, o ministro André Mendonça afirmou que o empresário buscou interlocuções semelhantes com outros membros do STF para tratar do mesmo interesse do Banco Master. O magistrado enfatizou que sua atuação jurisdicional no caso foi contrária aos interesses defendidos pelo empresário, mantendo coerência com seu histórico de decisões em processos análogos.

O Banco Master adquiriu os direitos sobre esses precatórios em 2023, utilizando fundos de investimento que receberam a cessão dos créditos. Tais fundos são administrados por empresas que atualmente são alvos da Operação Compliance Zero.

Vale lembrar que precatórios representam dívidas que entes públicos — como a União, estados ou municípios — são obrigados a quitar após decisões judiciais transitadas em julgado. O pagamento segue uma ordem cronológica e depende de previsão orçamentária, o que frequentemente resulta em longos prazos de espera.

Devido à demora no recebimento, esses créditos tornaram-se ativos negociáveis no mercado financeiro. Instituições financeiras e fundos costumam adquirir esses títulos com deságio, apostando na rentabilidade futura quando o poder público realizar a quitação integral da dívida.

Fonte: rdnews.com.br