O peso do afeto para orientar o voto nas eleições
Descubra como o peso do afeto para orientar o voto e a polarização política influenciam as escolhas dos brasileiros nas urnas. Confira agora.
O peso do afeto para orientar o voto é um fenômeno central na dinâmica eleitoral brasileira. Com mais de 158,7 milhões de cidadãos aptos a votar nas eleições de 2026, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o país observa um crescimento de quase 1,5% no eleitorado em comparação ao pleito de 2022. Essa massa de votantes está distribuída por 5.571 municípios e diversas localidades no exterior.
A grandiosa estrutura logística necessária para levar as urnas a zonas rurais e áreas remotas desperta a atenção internacional. Contudo, o que realmente define o direcionamento do eleitor vai além da organização física. A escolha nas urnas permanece profundamente ligada à identidade, crenças, pertencimento social e à realidade econômica de cada cidadão.
O peso do afeto para orientar o voto e a polarização
O cientista político Felipe Nunes, em sua obra Brasil no Espelho , destaca que a religião e a família são pilares fundamentais para o eleitor brasileiro. Dessa forma, o engajamento político muitas vezes cede espaço à chamada polarização afetiva. Nesse cenário, o adversário passa a ser visto como um inimigo, tornando a derrota do outro o objetivo principal.
Em outra obra, Biografia do Abismo , escrita em parceria com Thomas Traumann, Nunes explora como essa divisão severa gera uma fidelidade cega a grupos políticos. Esse processo, denominado pelos autores como "calcificação política", impacta diretamente as relações interpessoais, afastando amigos e familiares em nome de uma defesa incondicional de um lado.
A análise do comportamento eleitoral revela pontos cruciais sobre a decisão do voto:
Os eleitores independentes representam entre 24% e 36% do total, sendo decisivos no resultado final. O voto pendular, exercido por quem admite mudar de lado, possui grande peso na definição dos vencedores. O voto útil é uma estratégia frequente na reta final, onde o eleitor transfere sua preferência para um candidato com mais chances de vitória. Além disso, é preciso considerar que o medo também orienta escolhas. O receio de perder benefícios sociais ou a ameaça à renda familiar levam muitos eleitores a buscarem proteção material. Portanto, o desafio democrático consiste em superar o medo e evitar que a defesa intransigente de um lado cegue o julgamento sobre os resultados práticos para a sociedade.
A política não deve se transformar em um espetáculo ou em uma guerra de torcidas. O voto é a principal ferramenta de participação para discutir necessidades coletivas, como saúde, educação, segurança e desemprego. Confira outras análises sobre o cenário político .
Por fim, há um avanço relevante na representatividade feminina. Nas eleições atuais, 69 mulheres disputam as 54 cadeiras do Senado, o maior número registrado nos últimos pleitos. Esse dado é significativo, especialmente considerando que a próxima composição do Senado será responsável por indicar nomes para o Supremo Tribunal Federal. Mato Grosso contribui para esse cenário com duas candidatas na disputa.
Fonte: rdnews.com.br