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Pivetta exibe ponte de R$ 293 milhões; empresa de genro do irmão de Ci

Compacta não estava entre as seis empresas da composição original e passou a integrar o Consórcio Juruena em outubro de 2025, com o contrato já em execução e ap

Compacta não estava entre as seis empresas da composição original e passou a integrar o Consórcio Juruena em outubro de 2025, com o contrato já em execução e após aditivos

O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) exibiu no sábado (26) o avanço da ponte sobre o Rio Juruena, entre Cotriguaçu e Nova Bandeirantes. Por trás da obra apresentada pelo governador, documentos mostram uma mudança na composição do consórcio responsável pelo contrato: a Compacta Engenharia entrou no grupo depois da licitação e com os serviços já em execução.

A empresa é administrada por Victor Matheus Peixoto Felisbino, casado com Bruna dos Santos, filha de José Wagner dos Santos, irmão do ex-senador José Aparecido dos Santos, o Cidinho Santos.

A Compacta não fazia parte do Consórcio Juruena na composição original.

O grupo reunia Conata Engenharia, Infracon Engenharia e Comércio, Construtora Itamaracá, Construtora Marins, Vereda Engenharia e Criar Engenharia.

A Compacta entrou depois.

Registros empresariais apontam 3 de outubro de 2025 como data de entrada da empresa no Consórcio Juruena.

Naquele momento, o Contrato nº 002/2023/Sinfra já estava em execução.

O contrato foi firmado originalmente por R$ 252.832.046,27. Em setembro de 2025, aditivos elevaram o valor para R$ 293.943.386,73.

A mudança ocorreu poucos dias antes do registro da Compacta como integrante do consórcio.

A entrada posterior levanta questionamentos que precisam ser respondidos pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra).

A Compacta foi constituída em 2020 e não estava entre as empresas que integravam originalmente o consórcio. Qual qualificação técnica foi apresentada para sua entrada posterior? Quem autorizou a alteração? Qual documento fundamentou a mudança? Qual participação a empresa assumiu? Quais serviços passou a executar?

Também precisa ser esclarecido se a Compacta já atendia, na época da licitação, às exigências técnicas correspondentes aos serviços que posteriormente assumiu.

A entrada da Compacta ocorreu com o contrato já em andamento, mas ainda precisa ser esclarecido qual percentual do consórcio a empresa assumiu, quais serviços ficaram sob sua responsabilidade e quanto já foi medido e pago após sua entrada.

Em 2025, a Compacta venceu diretamente uma licitação da Sinfra por R$ 33.582.228,22 para implantação e pavimentação de 30,47 quilômetros da MT-160, em Diamantino.

A empresa também passou a integrar o Consórcio A. Madeira–MT-130, relacionado a uma contratação de R$ 65,38 milhões. O valor é do consórcio e não pode ser atribuído integralmente à Compacta.

Em 2026, a Compacta foi contratada pela Sinfra por R$ 34.773.574,77 para executar 25,484 quilômetros da MT-438, entre Sinop e Vera.

A empresa aparece ainda nas obras de duplicação da BR-163 sob responsabilidade da Nova Rota do Oeste. Documentos ambientais vinculam a Compacta a canteiro destinado à duplicação da rodovia entre os quilômetros 601 e 686.

Cidinho Santos presidiu o Conselho de Administração da Nova Rota do Oeste.

A Compacta também teve contrato com a MT Participações e Projetos (MT-PAR) para obras no Parque Novo Mato Grosso e venceu uma contratação de R$ 12 milhões para construir 100 casas populares em Nova Marilândia.

No sábado, foi a ponte do Rio Juruena que ganhou espaço na agenda de Pivetta.

O governador percorreu a construção acompanhado dos prefeitos de Cotriguaçu, Moisés Ferreira, e de Nova Bandeirantes, Rogério de Souza. Segundo as informações divulgadas durante a visita, cerca de 70% dos trabalhos estão concluídos.

Pivetta gravou imagens sobre a estrutura e depois mergulhou no Rio Juruena.

A agenda ocorreu na reta final da campanha eleitoral. Durante a visita, Rogério elogiou Pivetta e encerrou sua manifestação dizendo: “é por isso que nós somos 10”.

A obra exibida pelo governador, portanto, integra um contrato que começou em R$ 252,8 milhões e chegou a R$ 293,9 milhões após aditivos. A Compacta não estava na composição original e entrou no consórcio posteriormente, em outubro de 2025.

A empresa é administrada por Victor Felisbino, genro de José Wagner dos Santos, irmão de Cidinho Santos.

O caso coloca sob atenção as alterações realizadas na composição de consórcios depois das licitações.

No Juruena, há questões objetivas a serem esclarecidas pela Sinfra: quem autorizou a entrada da Compacta, qual instrumento formalizou a mudança, qual qualificação técnica foi apresentada, qual percentual a empresa assumiu, quais serviços passou a executar e quanto já foi medido e pago após sua entrada.

Os mesmos documentos podem ser fiscalizados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Ministério Público e demais órgãos de controle.

A situação também aumenta a atenção sobre outras grandes licitações rodoviárias, entre elas a MT-170. O acompanhamento das composições dos consórcios permitirá verificar se as empresas habilitadas nas disputas permanecerão na execução ou se haverá novas alterações depois das licitações.

Em contratos públicos de centenas de milhões de reais, a fiscalização não termina quando a licitação acaba. É preciso saber quem venceu, quem entrou depois, quem autorizou, qual qualificação apresentou e quanto passou a receber.