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Preço dos combustíveis na Europa: por que seguem tão caros?

Entenda por que o preço dos combustíveis na Europa permanece alto mesmo com o petróleo estável. Confira os fatores de refinação e oferta global.

preço dos combustíveis na Europa: Mesmo com o petróleo longe de recordes, gasolina e diesel permanecem caros na Europa. Entenda o papel da refinação e da oferta global nesta crise energética.

O preço dos combustíveis na Europa , especificamente da gasolina e do diesel, permanece em patamares elevados, desafiando a lógica de que o valor nas bombas deveria acompanhar apenas a cotação do petróleo bruto. Embora o barril de Brent tenha oscilado entre 73 e 126 dólares nos últimos meses, os consumidores europeus ainda enfrentam valores próximos aos recordes históricos.

Entenda o preço dos combustíveis na Europa

A discrepância entre o custo do petróleo e o valor final ao consumidor ocorre devido a um gargalo na capacidade de refinação e na oferta de produtos acabados. Especialistas apontam que, mais do que a disponibilidade de crude, o problema reside na dificuldade de transformar essa matéria-prima nos combustíveis necessários para o mercado.

A dependência europeia desses derivados é significativa, visto que a grande maioria dos veículos de passageiros no continente ainda utiliza combustíveis fósseis. Segundo dados da ACEA, a composição da frota na União Europeia reflete essa realidade:

49,2% dos veículos circulam a gasolina; 38,4% dos automóveis utilizam diesel; A quota conjunta de ambos atinge 87,6% da frota. Além disso, o diesel é essencial para o transporte de mercadorias, agricultura e construção. Portanto, a alta prolongada desses preços impacta diretamente a inflação, que atingiu 3,3% na zona euro, pressionada pelos custos energéticos. Você pode acompanhar mais análises sobre o tema em nossa categoria de economia.

A situação é agravada por conflitos no Médio Oriente e ataques a refinarias russas, que desestabilizaram a oferta global. Com a redução das exportações da Rússia, a Europa passou a importar volumes maiores dos Estados Unidos, Índia e Oriente Médio, tornando-se o principal destino global e, consequentemente, o local onde os preços são definidos.

As margens de refinação, que representam o lucro sobre a transformação do petróleo, mantêm-se em níveis recordes. Em junho de 2022, a gasolina Eurobob E5 atingiu um prêmio histórico frente ao Brent, e o diesel europeu seguiu tendência semelhante, evidenciando que o custo final ao consumidor engloba muito mais do que apenas o valor do barril de petróleo.

Atualmente, as refinarias operam próximas à capacidade máxima, com estoques reduzidos em hubs estratégicos como Amesterdão-Roterdão-Antuérpia. A falta de capacidade excedentária impede uma resposta rápida a qualquer interrupção na cadeia de suprimentos, deixando o mercado vulnerável a manutenções sazonais ou imprevistos operacionais.

Analistas sugerem que, enquanto a gasolina pode apresentar algum alívio sazonal com o fim das viagens de verão, o diesel enfrenta um cenário mais complexo. A demanda por aquecimento no inverno e padrões de qualidade mais rigorosos mantêm as margens desse combustível sob pressão constante.

Para que os consumidores europeus sintam um alívio real, seria necessária uma combinação de fatores, incluindo a reabertura de rotas comerciais críticas, como o Estreito de Ormuz, e um aumento nas exportações de países como China e Índia. Sem esses ajustes, a intensa disputa pelos carregamentos disponíveis deve sustentar os preços elevados no curto e médio prazo.

Fonte: pt.euronews.com