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Projeto cultural mapeia a diversidade humana e as tradições

Com expedição por nove estados, o projeto "Cerrado: a raiz do Brasil" produzirá livro e filme para documentar a riqueza cultural e histórica do segundo maior bioma.

O Cerrado, que compreende quase 25% do território nacional, é amplamente reconhecido por suas características naturais, como a vegetação rasteira, as árvores de troncos retorcidos e as veredas. No entanto, a dimensão humana desse bioma, marcada por uma pluralidade de tradições e costumes, ainda carece de um registro abrangente. É com o intuito de preencher essa lacuna que surge o projeto Cerrado: a raiz do Brasil .

A iniciativa, conduzida pela NITRO Histórias Visuais , consiste em uma expedição de campo realizada entre julho e outubro de 2026. O objetivo central é a criação de um mapa cultural inédito do bioma, que será materializado por meio de um livro e um filme. A equipe, composta por fotógrafos, escritores e documentaristas, percorrerá mais de 5 mil quilômetros em nove estados: Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Piauí e Maranhão.

Segundo o fotógrafo Leo Drumond, coordenador do projeto, a meta é vivenciar, documentar e fortalecer as relações culturais entre as comunidades locais e o ambiente, consolidando essas vivências como pilares da identidade brasileira. A previsão é que tanto o livro quanto a obra cinematográfica sejam lançados em dezembro de 2026.

A jornada, iniciada em julho na região do Grande Sertão Veredas, em Minas Gerais, foi dividida em três rotas estratégicas. A primeira abrange o território mineiro, a segunda contempla Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e o Distrito Federal, enquanto a terceira rota cobre a Bahia, Tocantins, Piauí e Maranhão. Drumond destaca que o trajeto atravessa rios, cachoeiras, áreas rurais e centros urbanos, focando especialmente nos povoados e comunidades tradicionais.

O projeto busca lançar um olhar sobre um Cerrado lendário e mítico, explorando os vínculos históricos estabelecidos entre as populações locais e a biodiversidade. O coordenador ressalta a importância de registrar manifestações como a Procissão do Fogaréu, a Festa do Divino e as tradições culinárias de origem indígena, que são heranças do período colonial e fundamentais para a formação cultural do país.

Para o fotógrafo, embora o bioma seja tema frequente de estudos acadêmicos, há uma escassez de obras literárias, fotográficas ou cinematográficas que abordem a totalidade de suas culturas em escala nacional. Ele acredita que este projeto se destaca por ser um dos mais significativos a focar nas relações humanas estabelecidas com o território.

O apoio à iniciativa também é visto como uma forma de valorização do patrimônio imaterial. Renato Teixeira, diretor de Comunicação Corporativa, Marketing e Impacto Social da Inpasa, afirma que o projeto contribui para que as tradições e saberes locais sejam conhecidos e preservados, reforçando o compromisso com o respeito às comunidades que constroem a história dessas regiões.

A realização do projeto é uma parceria entre a NITRO e o Ministério da Cultura, consolidando um esforço de documentação que pretende dar visibilidade a um lado do Cerrado muitas vezes ignorado pelo grande público.

Fonte: midianews.com.br