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Tratamento de crianças autistas é interrompido em Várzea

Auditoria do TCE-MT aponta interrupção no tratamento de crianças autistas no Campi VG. Confira os dados sobre a falha na rede de atendimento estadual.

tratamento de crianças autistas — Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) no Centro de Acolhimento Social (Campi), em Várzea Grande, constatou que 90,3% das famílias de crianças autistas já sofreram com a interrupção no tratamento. Mais da metade desses responsáveis relatou uma nítida regressão no desenvolvimento de seus filhos durante os períodos de paralisação.

O presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, visitou a unidade nesta segunda-feira (14). O local atende atualmente 348 crianças e o conselheiro aproveitou a ocasião para alertar sobre a insuficiência da rede de atendimento especializado em todo o estado. Ele ressaltou que o fechamento da unidade por falta de pagamentos é um risco inaceitável para a sociedade.

TCE aponta interrupção no tratamento de crianças autistas

As atividades no Campi chegaram a ser suspensas na última sexta-feira (11) devido à ausência de repasses financeiros aos profissionais. Contudo, um acordo firmado com a Secretaria Municipal de Educação permitiu a retomada dos serviços, prevendo o pagamento de R$ 461,9 mil até esta quarta-feira (16). O TCE-MT seguirá monitorando o caso, já que o montante cobre apenas uma parte da dívida total.

O diretor do Campi, Anacleto Giraldelli Bezerra, explicou que a unidade enfrenta dificuldades graves de caixa. Das nove notas fiscais emitidas ao longo deste ano, apenas três foram quitadas pelo poder público. Ele enfatizou que a dedicação da equipe multiprofissional, composta por neurologistas, psiquiatras, terapeutas e fisioterapeutas, é plena, mas a manutenção do serviço torna-se inviável sem o devido pagamento.

A auditoria operacional do TCE-MT sobre a atenção à criança com deficiência, com foco no Transtorno do Espectro Autista (TEA), revelou dados preocupantes sobre o cenário estadual:

1.462 crianças estão matriculadas sem diagnóstico concluído em 70 municípios. 58,1% das famílias aguardaram mais de um ano pelo início do tratamento. 49,5% dos responsáveis precisaram recorrer à Justiça para garantir o atendimento. 97,2% das famílias desconhecem o fluxo de atendimento após os 14 anos de idade. O relatório preliminar aponta que o autismo é a principal demanda da reabilitação infantil em Mato Grosso. Além disso, a fiscalização identificou diagnósticos realizados em consultas privadas extremamente rápidas, com duração entre 10 e 15 minutos. Apenas 15,9% das famílias ouvidas conseguem utilizar a rede pública especializada, enquanto a maioria depende de entidades filantrópicas ou planos privados.

A judicialização do setor tem gerado custos elevados aos cofres públicos. Entre 2024 e 2025, as demandas judiciais por reabilitação infantil somaram R$ 32,96 milhões no estado. Em Rondonópolis, especificamente, o impacto financeiro das ações judiciais varia entre R$ 16 milhões e R$ 18 milhões anualmente.

Por outro lado, o estado ainda carece de um protocolo unificado que garanta a transição do adolescente autista para a vida adulta. Em Várzea Grande, a auditoria também destacou a ausência de leitos psiquiátricos infantojuvenis para casos de maior complexidade. Para mais informações sobre o acompanhamento desses órgãos, acesse a categoria de notícias gerais.

Fonte: rdnews.com.br