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Transplante capilar: por que o foco deve ser o cirurgião e n

O crescimento da procura por transplante capilar no Brasil exige cautela. Especialistas alertam que tratar o procedimento como commodity pode comprometer result

O crescimento da procura por transplante capilar no Brasil exige cautela. Especialistas alertam que tratar o procedimento como commodity pode comprometer resultados.

Nos últimos 11 anos, o Brasil registrou um aumento expressivo na demanda por procedimentos de transplante capilar. Esse cenário desperta reações distintas: se por um lado reflete a superação de um antigo tabu, onde a calvície era enfrentada com resignação, por outro, a expansão acelerada do mercado traz preocupações significativas aos especialistas da área.

O principal alerta reside na tendência de tratar o transplante capilar como uma commodity , comparando-o a um item de prateleira. Muitos pacientes buscam o serviço baseando-se exclusivamente em orçamentos e na quantidade de folículos prometida, como se estivessem cotando passagens aéreas. No entanto, essa lógica ignora que cirurgias com o mesmo nome podem possuir disparidades profundas em termos de planejamento, rigor técnico e segurança.

Embora o preço seja um fator legítimo de análise, ele não deve ser o único norteador. Diferentes modelos de negócio coexistem no mercado, mas discrepâncias muito acentuadas em relação à média de valores exigem uma investigação criteriosa. Uma cirurgia segura envolve custos fixos essenciais, como equipe qualificada, infraestrutura hospitalar, esterilização, insumos, tempo de centro cirúrgico e acompanhamento pós-operatório.

O ponto crítico surge quando a economia é feita à custa da segurança ou através da delegação indevida de atos médicos. É fundamental que o paciente saiba quem, de fato, executará as etapas da cirurgia. Casos em que o paciente acredita estar sob os cuidados de um profissional específico, mas tem partes essenciais do procedimento realizadas por pessoas sem a devida habilitação, representam um risco real à saúde e à estética.

Os reflexos dessa precarização já são visíveis nos consultórios. Dados do Censo de Transplante Capilar 2023, realizado pela Associação Brasileira de Cirurgia da Restauração Capilar (ABCRC), indicam que cerca de 12% dos médicos associados precisaram realizar procedimentos reparadores em pacientes que haviam passado por intervenções mal conduzidas em clínicas clandestinas ou com profissionais não habilitados.

O prejuízo financeiro é apenas uma parte do problema, já que, em muitos casos, os danos são irreversíveis. Uma extração excessiva ou mal planejada pode comprometer a área doadora, limitando drasticamente as chances de uma segunda cirurgia caso a calvície continue a progredir. O sucesso do transplante não reside em retirar o maior número possível de folículos, mas em utilizar a quantidade adequada, com precisão técnica e planejamento individualizado.

Cada paciente possui características únicas, como formato de rosto, idade e padrão de perda capilar, que exigem um projeto personalizado. A busca desenfreada por volume e rapidez, muitas vezes incentivada por promessas comerciais, pode sacrificar a qualidade do resultado final. Além disso, o número de folículos extraídos não garante, por si só, a sobrevivência e o crescimento saudável dos fios.

Diante desse cenário, a recomendação aos pacientes é inverter a lógica da consulta. Em vez de priorizar a pergunta sobre onde encontrar o menor preço, o foco deve ser a confiança no profissional. Questionar quem será o responsável pela cirurgia e como será o acompanhamento a longo prazo é a melhor forma de garantir um resultado duradouro, evitando o arrependimento que decorre de escolhas baseadas apenas em valores financeiros.

O autor deste artigo é o médico André Duailibi, presidente do Instituto Duailibi, especializado em restauração capilar.

Fonte: rdnews.com.br