Turismo de nascimento: russas buscam cidadania no exterior
O turismo de nascimento tornou-se uma estratégia de emigração para famílias russas. Entenda como o Brasil e outros países lidam com o fenômeno. Confira.
O turismo de nascimento tornou-se uma estratégia de emigração para famílias russas que buscam garantir um futuro fora do país após o início da guerra na Ucrânia.
O turismo de nascimento consolidou-se como um fenômeno migratório expressivo entre cidadãs russas desde o início da guerra em larga escala contra a Ucrânia. Milhares de mulheres, receosas quanto ao futuro de seus filhos e ao isolamento crescente da Rússia, passaram a buscar o parto em solo estrangeiro. O objetivo central vai além da assistência médica de qualidade; trata-se de assegurar ao recém-nascido uma segunda cidadania, facilitando o acesso a educação, trabalho e livre circulação global para toda a família.
A ascensão e o declínio do turismo de nascimento na Argentina
A Argentina emergiu como o destino preferencial após 2022, atraindo cerca de 10,5 mil gestantes russas apenas naquele ano. O país oferecia entrada sem visto, custos médicos acessíveis e a garantia de cidadania automática pelo princípio do jus soli . Contudo, a popularidade do destino gerou tensões, levando o governo de Javier Milei a endurecer as normas migratórias. Atualmente, a naturalização dos pais exige dois anos de residência legal, o que reduziu drasticamente o fluxo de pedidos.
Dentre as principais motivações das famílias russas ao escolherem o exterior, destacam-se:
A obtenção de um passaporte com ampla liberdade de circulação internacional. A possibilidade de reunificação familiar e naturalização de outros parentes. A busca por países sem serviço militar obrigatório. O acesso a sistemas de proteção social e direitos de residência permanente. Com o fechamento das portas argentinas, o interesse migratório deslocou-se significativamente para o Brasil. O passaporte brasileiro é altamente valorizado por permitir acesso a 161 países sem visto, incluindo nações do espaço Schengen. Além disso, o Brasil oferece um procedimento simplificado para a naturalização de pais e avós, tornando-se uma base estratégica para projetos de emigração de longo prazo. Dados indicam que o número de russos que obtiveram a cidadania brasileira cresceu de 477 em 2024 para 613 em 2025.
Outros destinos, como o Chile, também ganharam destaque devido à qualidade de seus serviços médicos, comparáveis aos padrões europeus e norte-americanos, porém com custos mais competitivos. Por outro lado, países como os Estados Unidos e o Canadá mantêm a cidadania por nascimento, mas enfrentam pressões políticas internas e custos elevados, além de um combate mais rigoroso contra agências intermediárias que facilitam esses processos.
A história recente mostra que, quando o turismo de nascimento atinge uma escala massiva, os Estados tendem a revisar suas políticas. Nações como Irlanda, Austrália e Nova Zelândia já haviam abolido a cidadania automática por nascimento no passado. Portanto, o Brasil observa com atenção o aumento do fluxo migratório, ciente de que a experiência internacional aponta para a necessidade de um controle mais rigoroso sobre o uso do sistema migratório por estrangeiros. Para mais informações, acesse nossa categoria de notícias.
Fonte: pt.euronews.com