Ucrânia aponta planos da Rússia para mobilizar 600 mil solda
Relatórios de inteligência ucranianos indicam que Moscou deve convocar 300 mil militares por ano para suprir perdas no campo de batalha e a queda no recrutamento voluntário.
A Rússia estaria se preparando para uma nova rodada de mobilização militar, com o objetivo de recrutar 600 mil soldados adicionais entre 2026 e 2027. A informação foi divulgada pela Direção Principal de Informações e pelo Serviço de Informações Externas da Ucrânia, que sugerem que a liderança russa já teria tomado a decisão de realizar uma segunda grande convocação oficial para sustentar o esforço de guerra.
Segundo os dados de Kiev, o plano prevê o chamado de 300 mil militares ainda este ano, seguidos por outros 300 mil no próximo ano. O governo ucraniano sustenta que essa medida é uma resposta direta ao alto volume de baixas nas linhas de frente, à perda de iniciativa estratégica e à redução significativa no número de cidadãos que se voluntariam para assinar contratos com as forças armadas.
As estatísticas sobre as perdas russas são alarmantes. O Estado-Maior General ucraniano estima que, desde o início da invasão em larga escala em fevereiro de 2022, o total de baixas russas já ultrapassou a marca de 1,4 milhão de mortos e feridos. Apenas no primeiro semestre de 2026, a inteligência ucraniana calcula que a Rússia perdeu cerca de 240 mil militares, sendo que 140 mil teriam morrido ou sofrido ferimentos graves. No mesmo período, 232 mil pessoas assinaram contratos militares.
A situação no campo de batalha é crítica para os novos recrutas. Em julho, o diretor da CIA, John Ratcliffe, declarou que um soldado russo médio sobrevive entre 20 e 30 minutos após chegar à frente de combate antes de ser morto ou ferido. Esse cenário tem contribuído para o esgotamento do contingente disponível para recrutamento.
Relatórios indicam que o grupo de potenciais voluntários — que incluía devedores, detentos e migrantes — encolheu entre 30% e 40% em diversas regiões russas em comparação com 2025. Em locais como Kurgan, as metas mensais de recrutamento não atingiram o esperado, variando entre 57% e 69% de cumprimento. Quedas similares foram observadas em Volgogrado, Oriol, Vladimir e na república do Daguestão, enquanto tentativas de atrair estudantes também fracassaram.
Documentos internos russos citados pela inteligência ucraniana apontam que a insatisfação pública com o conflito, que chega a 69% em certas áreas, é um dos principais motores da queda no alistamento voluntário. Para contornar a escassez, o governo russo ampliou os critérios de elegibilidade, permitindo agora o recrutamento de pessoas com condenações criminais por crimes como tráfico de drogas, contrabando de armas, banditismo e organização de migração ilegal, além de considerar a convocação de mulheres condenadas.
Um sistema de notificações eletrônicas rigoroso já está em vigor. Uma vez que o cidadão é registrado, ele fica proibido de sair do país, realizar transações imobiliárias, contrair empréstimos, utilizar a carteira de motorista ou atuar como trabalhador independente. Além disso, o aumento na demanda por pessoal é visível em plataformas de emprego russas, onde mais de 2.500 vagas relacionadas à mobilização foram publicadas no final de julho.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, afirmou que a decisão oficial deve ser anunciada logo após as eleições para a Duma de Estado, previstas para ocorrer entre 18 e 20 de setembro. Segundo Zelenskyy, a estratégia de Vladimir Putin é baseada em uma “mobilização periférica”, focada em regiões distantes para evitar o impacto direto em Moscou e outras grandes metrópoles, embora acredite que o governo terá dificuldades em manter o processo em sigilo.
Vale lembrar que a Rússia declarou uma mobilização “parcial” em 21 de setembro de 2022. Como nunca houve um decreto oficial encerrando formalmente esse processo, o enquadramento legal para o recrutamento obrigatório permanece tecnicamente vigente há quatro anos.
Fonte: pt.euronews.com